22.12.11

Cinema: Um Dia


No início do ano, notei algumas pessoas lendo o livro Um dia e fiquei interessada em buscar informações sobre a história, coisa que acabei não fazendo. Quando vi o cartaz do filme, com todo aquele clima meio romântico, meio nostálgico, fiquei bastante curiosa. Para completar, Anne Hathaway, fabulosa e querida desde o meu amado filme O Diário da Princesa, está no elenco. Quanto à diretora, Lone Scherfig, a única referência que possuo é que o seu filme Educação está empoeirando na minha lista de filmes para assistir. Então, decidi que assistiria ao filme um pouco pela atriz, um pouco pelo cartaz, um pouco por saber que se tratava de um romance.


Um dia é um romance/drama que conta a história de Emma e Dexter. Os dois se conhecem na noite de formatura, no dia 15 de julho de 1988. O que era para ter sido uma noite de sexo se transforma no início de uma forte ligação entre os dois, sempre entre a amizade e o amor. O filme mostra o que ocorre com esse relacionamento e na vida deles ao longo de vinte anos, contando o que se passa todo dia 15 de julho. O lado positivo da história ser contada baseando-se apenas em um dia do ano é que certos acontecimentos ficam subentendidos e, pelo menos em minha opinião, isso deu ao filme uma maior sensibilidade visto que as cenas que representariam tais acontecimentos acabam sendo representadas por diálogos onde o espectador descobre o que passou na vida da personagem ao longo do último ano. Um fator negativo é que, por serem vinte anos, ou seja, vinte dias quinze de julho, a impressão é a de que, para dar conta de mostrar esses vinte dias no tempo de um filme, a história passa correndo, o que prejudica um maior envolvimento com alguns acontecimentos. Imagino que isto não ocorra no livro (e aqui vale lembrar que o roteirista do filme é o próprio autor do livro, David Nicholls).


Desde o início do filme Emma e Dexter são opostos. Emma é uma garota simples e muito inteligente. Enquanto trabalha como garçonete e adia a publicação de seu livro, Dexter consegue um emprego na TV e é um cara mimado e egoísta. O mais interessante é perceber como essa idéia de opostos é mostrada ao longo do filme. O passar dos anos mostra Emma cada vez menos apagada, tornando-se uma mulher forte e bem resolvida, usando o tempo a seu favor para crescimento pessoal e profissional. Dexter vai se degradando, como um cara que viveu os excessos da juventude e começa a envelhecer e sentir o peso das consequências de suas escolhas. E é o desespero de Dexter diante do vazio de sua vida que faz com que ele não seja inteiramente detestável, revelando-se um cara perdido e solitário. É exatamente nesses momentos que fica nítida a importância de Emma em sua vida. Tudo bem que a menina certinha ajudar o cara arrogante pode ser meio previsível, mas não significa que seja ruim.


Um Dia retrata as mais diversas relações e as decepções geradas por elas: a dificuldade de relacionamento com os pais, a traição de um amigo, casamentos vazios e a tênue linha que separa a amizade do amor. Mas erra em um aspecto: parecendo a história contada com uma certa pressa, uma de suas cenas mais importantes falha ao não usar de sensibilidade para ser retratada - sensibilidade muito bem usada em outros momentos do filme. A cena acaba por ser meramente chocante, outro erro que eu imagino - e espero - que não ocorra no livro. Mas o filme não me decepcionou, é um bom romance, onde as personagens conquistam você. Fiquei com vontade de ler o livro.

28.11.11

Elixir, o livro da Hilary Duff


Com 38.2º graus de febre, olhos ardendo, nariz dolorido de tanto lencinho de papel esfregado nele e a minha cabeça parecendo um bloco de cimento de tão pesada, eu não tinha muitas opções. A fim de comprar um pacote de TV a cabo mais barato, meus pais escolheram um que não tem os meus canais favoritos - aliás, os únicos que eu assisto. Além disso, alguns dos canais desse novo pacote não estão pegando na TV do meu quarto. Na internet, todos os assuntos estavam em torno dos jogos de futebol e eu nunca tenho paciência para acompanhar os torcedores fanáticos nessa época. Eu os acho bastante chatos, mas relevo e simplesmente evito, afinal eu também tenho lá os meus “fanatismos” (se é que essa é a palavra mais adequada). Acontece que, achando todas essas discussões - que muitas vezes viram brigas - bastante chatas e não entendendo nada e nem gostando de futebol, a internet também não era uma opção para mim. O que eu mais gosto de fazer realmente é ler um livro, mas este não foi o meu ano da leitura. Talvez pela enorme quantidade de textos da faculdade que, como disse um professor, faz a gente ler o que mandam e não ter tempo para ler o que quer. Talvez porque foi um ano ruim e a maior parte do tempo eu estava sem cabeça para me concentrar em uma leitura, fosse obrigatória ou não. Bom, com a falta de opções e o tédio da febre, resolvi dar uma olhada nas leituras que eu poderia fazer. Há dois dias atrás, eu tinha terminado a leitura de Na pior em Paris e Londres, do George Orwell, um dos meus escritores favoritos (vou falar sobre esse livro aqui depois). Abri o meu armário na parte onde guardo meus livros e mangás e me dei conta de que ainda não tinha lido o livro da Hilary Duff.


Como ficou bem claro no meu post sobre o dia em que a conheci na Bienal do Livro, eu sou uma grande fã (alguém falou em “fanatismos”?). Começou por volta dos meus doze anos, quando ela interpretava uma garota que não era considerada a mais bonita nem a mais popular da escola, tinha dois fiéis amigos e uma família que, aparentemente, a fazia pagar mico. Claro que era uma série pré-adolescente que passava a mensagem de ser você mesmo. Claro que eu adorava. Depois ela virou uma espécie de inspiração por ser uma celebridade (não gosto dessa palavra) que não estava se metendo em confusões como as outras que surgiram na mesma época que ela e das quais eu também gostava. Agora, seguindo carreira de escritora, a minha admiração só cresce porque o meu sonho desde criança é ser escritora (e professora). Sei lá, embora ela seja infinitos dólares mais rica que eu, de alguma forma eu me identifico com ela.

Então peguei o livro que seria o meu companheiro aquele dia. Acabei lendo o livro inteirinho e por isso terminei a leitura as quatro horas da manhã do dia seguinte. A leitura é tão envolvente e fácil que não dá vontade de parar de ler. O suspense da história tem um certo terror, mas o romantismo e a delícia de ser levado ao passado a cada sonho da personagem principal quebram qualquer mal estar que a história poderia causar. É uma delícia de ler. 

Elixir é narrado pela personagem principal, Clea Raymond, uma menina de 17 anos, filha de um renomado cirurgião e uma reconhecida política. Tendo crescido em meio aos holofotes, Clea detesta os paparazzi, mas tem paixão por fotografias que conseguem capturar a essência da imagem, que passam sentimento. A personagem usa um colar - presente do seu pai quando ela fez cinco anos - com um pingente de íris, onde as três pétalas representam a , a coragem e a sabedoria. Seu pai desapareceu há um ano em uma viagem que fez a trabalho para o Rio de Janeiro e as fotos da última viagem de Clea à Europa revelam a presença de um misterioso homem em todos os diferentes locais em que esteve. Para completar, Clea começa a ter sonhos com esse homem, vivendo quatro mulheres diferentes, em diferentes épocas: a Itália renascentista, uma região rural da Inglaterra cem anos depois, a França do século XIX e Chicago na Era da Proibição. Tudo isso somado a uma viagem ao Rio e uma história que surge em torno do tal elixir transformam a história em um suspense gostoso de acompanhar. A história tem continuação e a sinopse de Devoted, o segundo livro, já pode ser encontrada na internet, disponível em português (mas só recomendo após a leitura do primeiro livro, aos interessados).

Vejam o vídeo sobre o livro, narrado pela Hilary Duff: 


Nota: Na legenda “valor” (em inglês), aparece como “valor” (em português), mas seria “valentia”, no caso “coragem” mesmo.

16.11.11

Gente que não se ajusta


Um dos meus livros favoritos chama-se “A história de Despereaux”, de Kate DiCamillo. É a história de um camundongo chamado Despereaux Tilling, que não se ajusta aos costumes dos outros camundongos, é apaixonado por música e acaba também se apaixonando pela princesa do castelo em que vive, a princesa Ervilha. Logicamente, é uma história infantil, daquelas pra adulto nenhum botar defeito. Eu sou declaradamente apaixonada por histórias infantis, mas principalmente por histórias de desajustados, que não se comportam da forma esperada, que não se encaixam e buscam um outro destino - histórias contadas de maneira simples e sensível. “A história de Despereaux” é assim, um ratinho cujo nome lhe foi dado para representar o desespero do lugar em que vivia, mas que via além dali.

Leitor, você deve saber que um destino interessante (algumas vezes envolvendo ratos, outras não) sempre aguarda todo o mundo, camundongo ou gente, que não se ajusta.
Kate DiCamillo, A história de Depereaux, capítulo três

O livro acaba por se transformar numa espécie de conto de fadas imprevisível, meio torto. O carinho que tenho por ele vem da mensagem que ele deixa sobre a capacidade que as histórias tem de nos trazer um pouco de luz ("a luz é preciosa em um mundo tão escuro"). Eu me identifico pelo fato de ter sempre me sentido meio por fora, nunca ter me encaixado, e também pelo fato de ter encontrado nos livros e filmes uma espécie de refúgio que logo se transformaria em uma paixão na minha vida.


Mas não é apenas para falar de um de meus livros favoritos que comecei a escrever. Também quero falar de um filme que vi há pouco tempo: “O Palhaço”. Esse filme conta a história de Benjamin, um sujeito sem identidade, CPF e comprovante de residência que junto com o seu pai forma a dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue. Desde a falta de documentos até o seu trabalho como palhaço, Benjamin definitivamente é um desajustado.  O filme é sensível e simples, para utilizar as mesmas palavras do início do post. Gostoso de assistir, com uma atuação belíssima e uma história sobre gente que não se ajusta. E que faz a gente ver que não se ajustar talvez seja a grande graça nisso tudo.

25.10.11

Gigantes de Aço - uma boa surpresa pra mim


Recentemente vi dois filmes muito bons no cinema: Os três Mosqueteiros em 3D e Gigantes de Aço. O primeiro eu queria muito ver. O segundo, por ser uma união ação + robôs, eu decidi passar longe, mas acabei mudando de ideia. Ainda bem.  

Não, o meu blog não virou exclusivo para falar sobre filmes (até porque não me comprometo a fazer nenhuma grande crítica), continua sendo um blog pessoal onde eu posto o que eu quero.

1. Os Três Mosqueteiros
Esse filme eu já queria ver porque eu sabia que tinha no elenco o Orlando Bloom e ele é um dos meus atores favoritos - gosto dos filmes que ele faz e dos personagens que interpreta (o meu favorito é o Drew Baylor em Tudo acontece em Elizabethtown). Bom, o filme é uma aventura que conta a união do jovem D'Artagnan aos três mosqueteiros (Athos, Porthos e Aramis) e as lutas contra o Duque de Buckingham, interpretado pelo Orlando Bloom. Achei o filme engraçado, divertido e interessante. Acho que a maior graça do filme é a interpretação dada por Freddie Fox ao rei da França, Luis XIII.


2. Gigantes de Aço
Gigantes de Aço se passa em 2020 e conta a história de um lutador de boxe que perdeu o seu lugar porque as lutas entre robôs de aço se tornaram mais interessantes por poderem proporcionar ao público a violência e o show que a luta entre os humanos não poderia proporcionar. Com a morte da mãe de seu filho, o lutador Charlie Kenton se vê tendo que tomar conta de um menino de onze anos viciado nas tais lutas e que vai acabar pedindo a ajuda de seu pai para treinar um robô para lutar. É um filme de ação, como eu detesto filmes de ação (e ainda por ter robô no meio da história) eu nem pensava em ver esse filme, mas acabei mudando de idéia quando ouvi algumas pessoas comentarem que o filme era “lindo” e “emocionante”. Ainda bem que eu mudei de idéia, porque é um filme digno de ser assistido em uma sala de cinema e realmente é lindo e emocionante. ^__^

Vejam o trailer:

17.10.11

Filmes de terror para o dia 31


Com o dia 31 de outubro chegando (umas das minhas datas favoritas!), fiquei com vontade de falar sobre algo que eu curto bastante e tem tudo a ver com a data: filmes de terror. No último post eu comentei três filmes que havia assistido e, como os estilos dos filmes não me agradavam, acabei não gostando realmente de nenhum. Mas vou comentar algo que eu gosto e indicar alguns filmes pra quem curte também. Na verdade, eu gosto dos filmes de terror mais voltados para o suspense (por exemplo, O Sexto Sentido) do que para aquelas cenas apelativas (como em Jogos Mortais). O que me assusta é muito mais o suspense da história bem contada do que sangue pra todo lado. Bom, vamos aos filmes que vi recentemente:

1. Insidious (2011)
Vou começar com o que mais gostei. Dos criadores de Jogos Mortais (blergh!) e Atividade Paranormal (<3), Insidious (aqui chamado de Sobrenatural) conta a história de um casal que busca evitar que seu filho, que se encontra em inexplicável estado de coma após um estranho acidente, seja encarcerado por maus espíritos em um outro mundo, escuro e sombrio.  Assisti ao filme por indicação de uma amiga da minha irmã que o descreveu como o filme mais assustador que ela já tinha visto. Aqui em casa as opiniões se dividiram: enquanto a minha irmã não viu muita graça, eu gostei bastante. O filme é um equilíbrio perfeito entre uma história com bastante suspense e cenas assustadoras.

2. Ringu (1998)
Essa história todo mundo conhece. Fala sobre uma repórter que decide investigar a morte misteriosa de sua sobrinha e acaba ouvindo a respeito de uma lenda sobre uma fita de vídeo. A repórter então vai em busca da fita e, ao assistí-la e descobrir que tem exatos sete dias de vida, busca a ajuda de seu ex-marido para acabar com a maldição e salvar a sua vida. Ringu é um filme de terror japonês de 1998, baseado no livro de mesmo nome escrito por Koji Suzuki - história que também serviu de inspiração para o remake norte-americano The Ring (O Chamado), em 2002. Confesso que quando assisti a versão norte-americana, achei o filme fraco e nada assustador. Recentemente, quando fui assistir Ringu a única coisa que eu me lembrava da história era a menina do poço (hahaha), então foi bacana assisti-lo sem sequer lembrar do final. Gostei bastante.

3. Haunted Changi (2010) 
Haunted Changi é sobre um grupo de quatro amigos que decide fazer um documentário em um dos locais mais assombrados do mundo: o Hospital Changi, localizado em Cingapura. O local era, originalmente, um quartel britânico, mas foi ocupado por japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e utilizado como um espaço para torturas e execuções de chineses, malaios e indianos. Nos anos 50, o antigo quartel foi transformado em hospital público, mas foi dado como assombrado pelo público com o passar dos anos, com testemunhas que alegavam ter visto fantasmas de soldados japoneses. Muitas pessoas preferiam morrer a serem socorridas neste hospital. O hospital foi fechado em 1997 e permanece abandonado. Como a lenda em torno do hospital e, o próprio hospital, claro, são verdades (quero dizer que não foram inventadas para a realização do filme), vale a pena assistir ao filme. A forma como a história dos quatro amigos foi contada acabou sendo um pouco chata porque nada de muito interessante ocorreu no filme, o único momento de real tensão foi o final.

4. Noroi: the curse (2005)
Um documentarista resolve investigar incidentes paranormais e descobre que um antigo demônio é o responsável pelos desaparecimentos e acontecimentos bizarros. A história do filme é muito boa, fiquei presa do início ao fim às buscas das explicações para os acontecimentos. O ponto negativo é que alguns personagens, de tão bizarros, acabam sendo meio toscos. E, pra quem gosta das cenas de terror, essas só começam a acontecer no final do filme (dão mais nojo do que medo) - a maior parte dele é de investigações. Noroi: the curse e Haunted Changi são do tipo A Bruxa de Blair - aquele fingimento de que um documentário está realmente sendo feito (eu adoro!). Alguém sabe como se chamam esses filmes?

Fiquem com o trailer legendado de Insidious: