19.4.12

A menos que.

O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida é uma animação elaborada pelos mesmos criadores do excelente Meu Malvado Favorito e baseada na história criada pelo Dr. Seuss. Embora o filme seja mais infantil do que as animações que eu costumo gostar, a mensagem me surpreendeu. 
 
Ted vive em uma cidade onde tudo é feito de plástico, os habitantes querem adquirir as coisas mais modernas possíveis e o consumo é tão absurdamente estimulado, que eles decidem vender ar puro. A cidade não possui nenhuma árvore além das de plástico, coloridas e modernas, sempre com um novo modelo sendo lançado. Quando a menina pela qual é apaixonado decide que gostaria de ganhar de presente uma árvore de verdade, Ted vai em busca da tal trúfula perdida. No filme, as trúfulas representam as árvores, porém são coloridas e tem aparência semelhante à algodão doce. 

Lorax nada satisfeito com a árvore derrubada :O

Nessa aventura, Ted acaba por conhecer o homem que, movido pela ganância, foi responsável pela destruição de todas as árvores, a partir das quais ele confeccionava um produto chamado "sneed" que tinha diversas utilidades. E o Lorax? Lorax é o guardião da floresta que vai tentar alertar sobre os riscos de tal atitude. É ele quem precisa despertar a preocupação com o futuro e mostrar que as ações no presente tem um efeito lá na frente.

O filme é um musical e com tantas cores e músicas creio que ele seja bastante atrativo para as crianças. O seu humor não se preocupa muito em conquistar os adultos e continua no diálogo com os mais novinhos. Chamando a atenção para a preocupação com o futuro e as consequências da ganância, o recado que o filme deixa é realmente o de que, a partir do momento em que nos importamos, podemos tornar as coisas melhores.

5.4.12

"Jogos Vorazes", um vício surgindo

Só fui me interessar por Jogos Vorazes quando já estava pertíssimo da data de estreia do filme. Eu já havia escutado coisas sobre este ser o novo sucesso, trilhando os caminhos de Harry Potter (que marcou a minha vida <3) e Crepúsculo, mas ainda não tinha sequer pesquisado o assunto da história. Minha irmã veio falar que estava lendo os livros - trilogia da autora Suzanne Collins - e aconselhou que eu fizesse o mesmo. Acabei não lendo, mas fiquei curiosa para ir ao cinema assistir ao filme, coisa que normalmente não faço, dado que é muito mais gostoso ler o livro antes.


Eu classifico muito um filme pelo que eu sinto quando o assisto. Pode até ser que da segunda vez eu não veja mais tanta graça na história, mas eu nunca esqueço das sensações que tenho quando assisto a um filme pela primeira vez. Jogos Vozares é um desses filmes que provocam milhares de sentimentos em mim e faz com que eu mergulhe na história, que é tão fora da realidade quanto dentro dela.

A existência dos Distritos e sua relação com a Capital, a aparência e o comportamento das pessoas da Capital e a própria ideia dos Jogos Vorazes - onde 24 pessoas se veem dentro de uma arena em um determinado cenário escolhido e apenas uma delas sairá viva, pois elas lutarão até a morte entre si - tudo isso causa estranheza, desconforto e tensão. Por outro lado, parece relativamente real observar a personagem principal, que vive na pobreza e se vê diante do mais completo luxo e conforto dias antes de precisar entrar em um jogo para lutar pela sua sobrevivência. Real também é a manipulação desse jogo. 

A diferença entre as pessoas da Capital e do Distrito

A história do filme, dirigido por Gary Ross, é a seguinte: onde antes era a América do Norte, surge a nação de Panem, que possui doze distritos dos quais uma menina e um menino são selecionados como Tributos para participar dos Jogos Vozares e lutar pela própria vida. É um reality show que significa entretenimento para os moradores da Capital e também é, por parte dos mesmos, uma forma de manter submissos os povos dos Distritos.

Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece como Tributo do Distrito 12 no lugar de sua irmã que havia sido sorteada. Peeta Mellark (Josh Hutcherson), rapaz do mesmo Distrito que também é sorteado para ir aos jogos, é responsável por deixar no filme a dúvida sobre o seu caráter e protagonizar o que o reality show vê e especula como um possível amor entre dois jovens. Outros muitos personagens interessantes fazem parte dessa história, como o mentor dos jovens do Distrito 12, os Tributos que foram treinados desde cedo para participarem dos jogos e se orgulham disso e o figurinista interpretado pelo Lenny Kravitz.

Katniss e Peeta, os jovens do Distrito 12

Certamente vou ler os livros, pois fiquei viciada só pelo filme e com vontade de assistí-lo mais vezes. Nos livros, a história é contada do ponto de vista da personagem principal, o que será uma novidade para mim em relação ao filme. Além disso, descobrir a história dos outros dois livros da trilogia antes dos filmes será bem melhor.

20.3.12

"John Carter" não empolga

Criada em 1912 pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs, também criador do famoso personagem Tarzan, a história de John Carter é relativamente antiga. Andrew Stanton, o diretor do filme, é também fã do personagem e aprecia suas histórias desde garoto. Andrew é reconhecido pelo seu trabalho como diretor de excelentes animações, como Procurando Nemo (2003) e Wall-E (2008), que lhe renderam estatuetas do Oscar na categoria de melhor animação. John Carter - Entre Dois Mundos é a primeira experiência do diretor fora das animações.


John Carter (Taylor Kitsch) é misteriosamente transportado para Marte (chamado de Barsoon pelos marcianos) e se vê diante de uma guerra cuja única chance de paz parece estar no casamento forçado envolvendo a princesa Dejah Thoris (Lynn Collins), por quem ele se apaixona. Esse romance soa superficial o filme inteiro e não convence em momento algum (talvez apenas nos momentos finais, que tendem a ser mais emocionantes). Embora uma ou outra cena de ação seja bem feita, o filme é, de uma forma geral, bastante chato. Acho isso uma pena, pois quando penso apenas na história percebo que ela é interessante. Provavelmente eu teria gostado de ler os livros, mas o filme definitivamente não funcionou. O festival de roupas curtinhas mostrando os músculos do personagem principal e as pernas e barriga da princesa passavam uma impressão tão forçada que chegava a ser tosco (uuuh, como somos sexys em Marte!). Segundo texto no site da Veja, o investimento no filme foi de 250 milhões de dólares, tendo arrecadado apenas 30 milhões no seu final de semana de estreia nos EUA, indicando um prejuízo para a Disney. O filme tem de tudo: ficção científica, aventura, ação e fantasia. Mas faltou tempero.

Tem dica minha de livro no By Marina, no texto Dica de livro: Adestramento Inteligente. E no post A maquiagem no cinema: Comparando filmes, eu estou falando sobre a maquiagem em "A Dama de Ferro" e "J. Edgar". Pra quem não lembra eu tinha comentado aqui o quanto achei esquisita a maquiagem para envelhecimento no filme com o Leonardo DiCaprio.

10.3.12

Um personagem completo... Sem nome

Mesmo sabendo que Drive era um filme de ação, resolvi dar uma chance à ele e, vejam só, não houve arrependimento até a metade do filme. Ryan Gossling interpreta um cara que trabalha como dublê de cenas de perseguição de carros, ajuda em uma oficina e, eventualmente, atua como motorista em fugas de crimes. O personagem, completamente indecifrável, é marcado pela sua jaqueta com um escorpião e o palito de dentes que vive mastigando. Ele fica interessado na vizinha Irene (Carey Mulligan), que cria sozinha um filho pequeno enquanto seu marido, Standard (Oscar Isaac) está na prisão. O personagem sem nome interpretado por Ryan, a fim de proteger a vizinha e a criança, acaba resolvendo ajudar Standard a pagar uma dívida ao sair da cadeia. E aí o filme começa a mudar, adquirindo uma cara extremamente violenta. Pessoalmente falando, achei o filme muito bom até a metade, da metade para o final só não torna-se descartável porque sua trilha sonora é excelente. E quando digo descartável, digo isso baseada apenas na minha falta de gosto por cenas de violência pura (exceto as de Tarantino, talvez).


Embora não seja um filme que eu veria novamente, gostei de ter assistido, pois Drive não é o típico filme de ação com os seus clichês insuportáveis. O personagem principal parece estar decidido a fazer justiça e não é em aspecto algum um herói digno de honras. Exatamente por ser tão “blindado”, desde o início do filme sabemos que não estamos vendo nenhum mocinho. O mais interessante é quando todos os elementos que constituem esse personagem se fundem: a oficina, o dublê e o motorista. Os amantes de cinema que têm mais estômago que eu certamente aprovam o filme.

1.3.12

Mais um pouco de realidade no cinema

Falei recentemente por aqui sobre filmes que contam a história de pessoas reais: J. EdgarA Dama de Ferro e até mesmo o último comentado aqui, A invenção de Hugo Cabret, embora este último tenha uma abordagem que foge mais ao real. Nessa semana assisti O Homem que Mudou o Jogo, do diretor Bennett Miller, filme que mostra a vida de Billy Beane (interpretado por Brad Pitt), gerente de um time de baseball chamado Oakland Athletics. Quando Billy se junta com o formado em Economia, Peter Brand, ele resolve colocar em prática um plano de estatísticas que os ajuda a encontrar atletas bons em determinada característica e que custam barato. Esse plano, aos olhos dos demais profissionais da área, parece uma atitude irracional, mas Billy insiste em provar sua credibilidade.


O filme fala o tempo todo sobre baseball e para alguém como eu, que não gosta de esportes e nada sabe sobre este em específico, alguns diálogos acabam sendo difíceis de entender. Claro que dá pra entender o filme, até porque ele está além do jogo, mas todo o esquema de contrato dos jogadores e o seu treinamento acaba sendo cansativo de acompanhar (e eles ocorrem durante todo o filme!). No entanto, adoro quando eu consigo simpatizar com um personagem (como foi com a Celia Foote em "Histórias Cruzadas" e com tantos outros). Nesse caso, o melhor personagem de O Homem que Mudou o Jogo é o Peter Brand (Jonah Hill). Apesar da história de Billy Beane e da interpretação indicada ao Oscar de Brad Pitt, não acredito que o filme teria a mesma graça sem a vida que Jonah Hill dá a seu personagem.

Como escrevi em meu twitter, o filme é daquele tipo que acaba valendo a pena por uma cena. Nem sempre a história consegue envolver completamente o espectador, mas às vezes uma simples cena acaba por tornar tudo melhor. Cito como exemplo a última cena de Os Descendentes, da família no sofá. Aparentemente não tem nada demais, mas ela sintetizou todo o filme. No caso de O Homem que Mudou o Jogo, a cena que me envolveu completamente foi a de Brad Pitt no carro, no momento onde tudo que aparece são os seus olhos e eles acabam por revelar todo o interior do personagem.